quarta-feira, 1 de abril de 2009

POIS É

Está faltando às cidades pequenas bons políticos, ou seja, mais competentes. Talvez seja este o motivo de continuarem pequenas. E as novas gerações, por falta exclusivamente de capacidade, não têm conseguido tirá-las do ostracismo. Tanto políticos da situação quanto políticos da oposição têm priorizado salários, busca de poder e vaidades pessoais, esquecendo que a arte de fazer política é exatamente o contrário: a discussão em alto nível , o argumento bem fundamentado, o consenso, o bem comum. Falta capacidade às lideranças. Não a capacidade intelectual, mas sim a de saber fazer política séria, única e exclusivamente em prol do município. Não se faz política com mentiras, com meias verdades, com fofocas, com brigas, com ofensas pessoais, com disputas mesquinhas e com revanchismos. Tais características já viraram folclore, são coisas do passado, dos tempos dos coronéis. Mas, infelizmente, tem sido comum às situações e às oposições das pequenas comunidades. Carece, muito, às novas gerações a arte de conversar, de convencer, de parlamentar e de liderar, de ser realmente um político. Mas, a culpa não é só dos políticos. Aos eleitores também cabe a sua parcela. Está faltando também capacidade a eles, conhecimento para discernir propaganda de compromisso, faltando vontade para acertar. É preciso arrancar de quem quer que seja, as intenções de realizações, o compromisso, a responsabilidade , a seriedade e descartar a retórica do marketing das campanhas. Estas, duram no máximo seis meses e são individuais, cheias de festas, de carreatas, de comemorações, de promessas e de armadilhas; aquelas, valem quatro anos do mandato e o compromisso deve ser com o município, com os vencedores e os vencidos. Daí, a necessidade de competência para aliar-se a quem tem capacidade de conduzir este processo, de saber fazer política. Só assim tais cidades deixarão de ser pequenas um dia. Fazer política não é medir força, não é expor vaidades, não é carregar revanchismos ou diferenças pessoais. É preciso que as situações e as oposições deixem de pensar pequeno para fazer a comunidade grande... Pois é. (w.catizany)

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ABRA UM DOS ALBUNS

RAPIDINHAS

Verônica Cristina do Rego Barros, morreu no hospital estadual Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, após ser submetida a uma cirurgia para a retirada de um coágulo no cérebro. A suspeita é que a cirurgia tenha sido realizada no lado direito do cérebro mas o coágulo estava no lado esquerdo... É o Brasil, né ?


O cérebro humano pode ser feminino ou masculino independentemente do sexo biológico de uma pessoa. Faça o teste e saiba se o seu cérebro tem o mesmo sexo que seu corpo... Mas, cuidado, hem ?


Num investimento de cerca de R$2 milhões da Secretaria de Estado da Saúde, o Governo do Estado por meio do Sistema Estadual de Transporte em Saúde (Sets) implantará um sistema de transporte grátis para pacientes de algumas regiões carentes. Os microônibus viajarão todos os dias, de acordo com a rota pré-definida, sem custo para a população... Excelente medida !!!


Brevemente a Rodovia 381 deverá ser privatizada. Um pedágio de R$ 18,00 a cada 100 km deverá ser cobrado... Será que assim acontecerá menos acidente ?


Luciana Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, diz que prefere trabalhar em casa já que o Senado "é uma bagunça"... Ela deve saber, né ?


O STJ decidiu que a Lei Maria da Penha pode ser usada para processar agressores acusados de praticar atos de violência contra as suas namoradas. Segundo o STJ, a lei não vale apenas para os casais que vivem juntos, podendo ser aplicadas às relações de namoro também... Cuidado !!!


O MEC pretende definir em cerca de duas semanas a substituição do vestibular pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nas Universidades Federais

PALAVRA FRANCA

Papai, o que é Páscoa? Ora, Páscoa é... bem... é uma festa religiosa! Igual ao Natal? É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição. Ressurreição? É, ressurreição. Marta vem cá! Sim? Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal. Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu ? Mais ou menos... Mamãe, Jesus era um coelho? O que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas ! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu ! Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã ! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola ? Deus me perdoe ! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo ! Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus ? É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. O Espírito Santo também é Deus? É sim. E Minas Gerais ? Sacrilégio !!! É por isso que a ilha de Trindade fica perto do Espírito Santo? Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudinho ! Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa ? Eu sei lá ! É uma tradição. É igual a Papai Noel,só que ao invés de presente ele traz ovinhos. Coelho bota ovo ? Chega ! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais ! Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa ? Era... era melhor,sim... ou então urubu. Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né ? Que dia ele morreu ? Isso eu sei: na Sexta-feira Santa. Que dia e que mês? (???) Sabe que eu nunca pensei nisso ? Eu só aprendi que ele morreu na Sexta-feira Santa e ressuscitou três dias depois, no Sábado de Aleluia. Um dia depois! Não três dias depois. Então morreu na Quarta-feira. Não, morreu na Sexta-feira Santa... ou terá sido na Quarta-feira de Cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde ! Morreu na Sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como ? Pergunte à sua professora de catecismo! Papai, porque amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua ? É que hoje é Sábado de Aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus. O Judas traiu Jesus no Sábado ? Claro que não ! Se Jesus morreu na Sexta !!! Então por que eles não malham o Judas no dia certo ? Ui... Papai, qual era o sobrenome de Jesus? Cristo. Jesus Cristo. Só ? Que eu saiba sim, por quê ? Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha ? Ai coitada ! Coitada de quem ? Da sua professora de catecismo ! Feliz Páscoa para todos ( Luis Fernando Veríssimo)

POEMA

Asas da Alma

Ao som do ar que se propaga sonolento
Deixo-me alçar vôo como doce alento
Para fugir das dores e de tormentos
Que fustigam na alma meus pensamentos.

Na alma, que inflama na ardência insana,
Oculto as asas cansadas que inertes pendem
Flácidas, fúteis fitam o calor que emana,
Sentindo inalcançável fonte de vertigem.

Transmuto dor em riso, alada alma santa
No martírio encanta conturbada vida,
Flutuando no etéreo caminho, acalanta.


Num hercúleo esforço, como derradeiro,
Ruflo as asas da alma dantes já ressentida
Alçando o planar ao eterno paradeiro.

(Erodes Lino Leite)

E NÃO É

A BATIDA DOS CAVALOS

Não sei porque todo freqüentador de “Buteco” é taxado de mentiroso. Qualquer história que conta, pode ser a mais pura verdade, alguém ainda coloca dúvida. Talvez se passassem pelo menos uma vez por semana pelo Quiosque Fim de Tarde na minha “Terrinha”, não duvidariam das histórias por lá contadas. Vou contar um “causo” que ouvi numa das rodas de caipirinha quando lá estive nas últimas férias. E olhem que presentes estavam no mínimo sete testemunhas que juraram de pés juntos a veracidade do acontecido. Pois bem, ouvi que nos idos da década de setenta, quando em nossa cidade o desenvolvimento ainda engatinhava e não havia energia elétrica da CEMIG e apenas uma “luzinha” produzida por um motor barulhento, religiosamente ligado às seis da tarde e desligado às dez da noite, formou-se repentinamente uma tempestade no início de uma noite destes dias de fim de semana e a cidade se fez “breu” antes da hora. Foi um alvoroço e todas as pessoas ficaram muito assustadas. Algumas fecharam as casas mais cedo, outras correram para lugar seguro e aqueles que jogavam conversa fora, escorados nos balcões das vendas e tinham um cavalo amarrado na cerca do lado, tomaram num só gole a famosa “saideira”, pularam em seus animais e “pernas para quem tem”. A rua, que nunca teve sinalização, ficou literalmente congestionada. Uns subiam, outros desciam e naquela escuridão ninguém lembrava de obedecer limite algum de velocidade. Foi aí que aconteceu o que não devia: O Morais, que morava no Sítio das Cabaças e vinha subindo a rua montado no “Sabonete” fazendo cem por hora, bateu violentamente e de frente no “Cristel”, que era pilotado pelo outro Morais, o Ernani da Fazenda dos Bambus e que descia a mesma rua em sentido contrário, exatamente na curva em frente ao Cemitério. O Morais 2, que hoje é até político no município, passou pelo Morais 1, que deixou de ser fazendeiro para ser comerciante em Contagem – MG, numa altura de quase três metros do chão. E dizem, que foi um milagre, sofrerem apenas algumas escoriações, sem gravidade. A mesma sorte não tiveram os veículos, digo os pobres cavalos. O “Cristel”, com o choque, faleceu na hora e o outro, o “Sabonete”, quebrou as pernas e teve que ser sacrificado pouco depois do acidente. A tempestade espalhava rapidamente e a escuridão já fazia medo até em vagalumes, mas diante da gravidade, alguém meio estranho, de voz quase indecifrável, da penumbra da janela da Delegacia comunicou o fato ao Antônio Soldado, hoje sargento aposentado em Jaboticatubas – MG, e o chamou para fazer o devido “BO”. Ao chegarem ao local, o policial e sua equipe, já foram anotando o nome dos “Jóqueis” envolvidos, a identificação dos cavalos, a quem pertenciam e no final inquiriu algumas testemunhas. O Morais 1, que também é José, ainda meio atordoado disse que haviam algumas pessoas e que elas estavam encostadas no muro, debaixo da centenária árvore de Vinhático que fica do lado de cima da rua e que esta foi sua última visão aérea. Completando, o Ernani, que é o Morais 2, disse que eles provavelmente viram tudo e apontou para uns velhinhos e umas velhinhas, vestidos de branco, que caminhavam em fila indiana rumo ao portão de ferro do Cemitério. O policial reconheceu entre os velhinhos, a pessoa que o havia chamado na Delegacia e em seguida calou-se. Houve um instante de silêncio que só foi quebrado quando o soldado, com a voz um tanto quanto trêmula e a pele meio sem cor, propôs deixar tudo como estava, cada um, provisoriamente, com seu prejuízo e que no outro dia, à luz do dia, resolveriam o resto. Pânico geral entre os que ali estavam: um vulto saiu daquela escuridão, arrepiando a todos. Era o Chiquinho, zelador daquele quinhão, que tinha esquecido o portão do Cemitério aberto e subiu pelo atalho sem ser visto, para fechá-lo. O outro dia chegou, os cavalos foram sepultados, o tempo passou, mas as testemunhas não foram identificadas e o caso foi arquivado. Dizem alguns, que até nos dias de hoje, em madrugadas escuras como aquela da noite da batida, pode-se ver alguns velhinhos como aqueles, cavalgando tranquilamente nos arredores daquele vinhático, no lombo de dois cavalos muito parecidos com o Cristel.” e o “Sabonete”. .. E não é ? (. Catizany)